Caiu um fio de cabelo branco no banco do trem. Veio o vento o levou longe. Fiquei observando parte de mim se dissipando. Insignificâncias? Talvez.
Naquele pedaço de quase nada tinha tudo de mim, o que conheço e o que desconheço, informações valiosas e raras agora sendo pisadas por sapatos estranhos e imundos.
Passo a mão na cabeça, têm muitos deles ainda no couro cabeludo, genes preservados, unidade fundamental da hereditariedade, unidade fundamental do eu.
Será que meus filhos serão calvos como o pai, ou, esparramarão seus cabelos brancos por aí?
Salvador Dalí não teria sido exumado recentemente, a pedido de uma suposta filha, se ao menos tivessem um fio de cabelo dele por aqui. E pasmem, dizem que seu bigode estava intacto após 28 anos debaixo da terra, naquela mesma posição emblemática marcando dez horas e dez minutos.
Realmente a vida da gente é surreal! Pedaços de nós são eternos denunciantes. Somos marcantes, querendo ou não, existir é muito mais do que o aqui e agora. Somos artistas raros em *servidão voluntária.
E o relógio continua girando, e o tempo derretendo, pedaços de nós sendo pisados, criatividade enterrada.
E nós aqui, responsáveis pela própria exumação em vida se quisermos ser salvador de nossos genes, da nossa futura geração.
Dali, de perto da essência do ser, tocamos nossa arte, moldamos o próprio caminho. Mas, talvez, preferimos a insignificância.





Saber quem somos é uma pergunta que os filósofos farão eternamente, imagino. A vida, nós, tudo, está em constante mudança, nada é sempre o mesmo.
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É fato🙋♀️
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Gostei da brincadeira com as palavras Salvador e Dali. Adoro esses “truques”.
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Adoro te ver por aqui.
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❤ Não esqueci o q vc falou sobre as dicas de inglês não, tá? Ainda tô fomentando rs
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Queremos você por aqui em português ou em inglês ⚘
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Own 💚💚💚
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