Lua que corta

O dia em que me entreguei a solidão

percebi você estava lá

Não olhei

Não olhei porque eu não queria

Eu usava o óculos escuro

Chamado de indiferença

Para você não notar

Com quanta desavença

Eu poderia contratacar.

Fui segurando os dias

No salto alto

Me protegendo de mim

A cada blush

Não sucumbi ao seu olhar

Devoção, piedade?

Não sei

Só sei que não superei essas dúvidas

De sempre estar em dívida

Com o que não há em mim.

Curo as bolhas dos pés

Tentei limpar o rosto

Com óleo de peroba

Tirei aquele óculos escuro

Agora uso um com grau de intuição

Nada mudou

Você continua aqui

A me olhar

E eu? Ah eu, eu continuo

A maquiar a depressão.

Levanta, levanta

Meu corpo dói

Das pernas à indigestão

Minha alma me culpa

Me sinto pequena

Por admirar a solidão

Contemplo as folhas caídas

Enquanto muitos pisam nelas.

Sigo as regras, nada me convenceu

Acredito em meias palavras

Do que me dizem

Só penso em dormir

Pra ver se noutro dia nasço.

Só gosto de escrever
Pra ver o rosto dessa dor

Quem sabe a olhando nos traços

Eu aprenda ao menos

Caminhar com fé

E não ver essa lua que corta

Toda vez que olho para cima

Sigo com a cabeça nas letras

Desse diário

E o coração escondido a procurar

Se você ainda me lê.

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