Olhos nos pés

Andava

Com olhos no pés

Ninguém via

Que ela passava

Todos iam

Enxergava

Por outra perspetiva

Além da Terra

E das bocas de tramela

Quando descansava

Sabia muito mais

Mas

Os dias não lhe permitiam

Visão

Em movimento

Não podia pisar

Em qualquer caminho

Cisco dói

Sensibilidade não usa salto

Indiferença sim

Usa até perna e cara de pau

De olhos nos pés

Não havia um rosto

Para lhe (as)segurar

Seguiu acreditando que

A vida

É tudo o que não se vê

Até o dia que

Os cílios

Criaram raízes no chão

E as pupilas brotaram

Para sempre.

  • O desenho é da Ana Isabel do blog Delfos, desde quando eu o vi, pensei: quanta poesia! Então, escrevi esse poema e pedi licença para publicá-lo. Se você gosta de desenho livre e criativo conheça consulte o Delfos.

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11 comentários

  1. “Bocas de tramela”
    numa sociedade só pressa
    vítima e algoz dela mesma:
    a angústia por medalha
    Numa olimpíada cujas pistas,
    raias, lançamentos
    ficam para trás, desaparecem,
    mas não os obstáculos
    a cada dia mais parecidos
    a ferrolho,garrote vil, bocas sem tramela,
    penduradas no mundo da janela.
    Corre, Maria, a vida é um susto, minuto.

    Um abraço.
    DARLAN

    Curtido por 1 pessoa

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