Portal do infinito

Há o dia
de apagar a luz
e fechar a porta de casa.

Os cômodos antes habitáveis,
dias arrumados,
noutros não,
cedem espaço ao vazio,
à desconstrução,
à saudade que pulsa
como o vento que bate
em paredes antigas
nas ruínas de quem ficou.

Essa dor de amor
sem idade
atravessa o tempo das lágrimas
como rio que não seca.

Até hoje não conhecemos
nada mais belo do que a vida,
com seus riscos, delícias e pesares,
com suas chamas e sombras
que nos moldam e nos libertam.

Mas, em vida, a morte nos chama
ao desconhecido;
ninguém sabe se realmente
estamos vívidos agora
ou apenas ecos flutuantes a divagar.

Um fato é certo:
desde as entranhas maternais,
a vida sempre foi um mistério,
uma luz estranha
que cresce entre a quietude e o caos.

E assim como o dia não finda com a noite,
também sabemos que:
no túnel do sono existem mais sonhos
do que pesadelos;
até o despertar.
E tudo isso acontece no silêncio de nós…

Hoje passeamos nesta bola azul flutuante,
girando entre estrelas, ventos e mares,
onde a morte é apenas
um portal,
mais um começo,
uma respiração cósmica
que nos devolve à vida,
ou nos leva
a algo maior,
infinito,
inesperado.

No além de nós,
na verossímil,
na inarrável,
Foz.

5 comentários

  1. Lugarejos ou lugarejos ou passagens estreitas como essa aí da foto muito me agradam. Sossego carrego na espera, na esperança agrária de um dia topar com ele – sossego.

    Grato, CRIS, pelas visitas. Esteja sempre bem. Dona Maria está ali, com chá de hortelã, canela em casca, gengibre e limão, que preparei para ela. Não, não está gripada. Algo frio em BH, mas o documentário na tevê completa a vida boa da Vovó… hehe.

    DARLAN

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